"Encontrando beleza na decadência. Meus poemas exploram os cantos escuros da cidade e as ruínas silenciosas do coração."
por 2025-06 • ❤️ 989 Curtidas
Obras de Mistveil
Turno da noite
Caixa do mercado na sombria esquina,
Com olhos que perderam todo o seu frescor.
Compro o meu café onde a noite mina,
E fujo longamente da incerta dor.
Partilhamos mudos esta madrugada,
Em um balcão gelado onde o tempo mói.
Um selo bate a hora tão desperdiçada,
Eu parto solitário com o que me dói.
"vc acertou em cheio nessa vibe do balcão gelado do mercado de madrugada. é um desespero tão genuíno."
O taxista noturno
Transporta em seu carro a sombra dos aflitos,
Sem nunca perguntar de onde ou para quê.
Conhece as duras penas e todos os ritos,
De gente em pranto amargo que jamais se lê.
Ele não fala nada. Num aceno frio.
Aceita os passageiros calmo e sem horror.
Invejo essa braveza em meio a um desvio,
Num círculo fechado, isento de dor.
"como vc conseguiu fazer a rotina do taxista noturno soar quase... invejável? esse círculo fechado me atingiu em cheio."
O último comboio
Ressoa o trem noturno nos trilhos de aço,
Levando os vagabundos lentos para o lar.
Nós somos estranhos presos no regaço
Da noite abismal e pronta pra findar.
Atrás de foscas platinas se encerra a glória,
O menino contempla a rua a evadir.
A vida cobrou mais caro pela memória,
Ninguém de nós descobre para onde ir.
O trem repousa longo na morada extrema.
Saímos um a um às rotas singulares.
Perdidos na cidade num deserto esquema,
Deixamos para sempre os nossos vagares.
"isso aqui pesa como se fosse um conto inteiro. cada imagem daquele trem noturno... simplesmente perfeito."
Grafito
Alguém talhou num banco um nome apaixonado,
Com fúria doce e triste na madeira vã.
As letras são tomadas pelo musgo pardo,
Esquecidas de todos pela vil manhã.
Mas o carvalho duro ainda resguarda,
Como se o tempo fosse seu cativo aqui.
A promessa sentida é a mais pura farda
Que abraça uma lembrança e espera por ti.
"isso me faz pensar nos nomes talhados nos bancos que o musgo toma conta e ngm mais lê. tão melancólico."
As horas cegas
Às três da madrugada a urbe cessa a farsa.
As luzes se apagam num deitar sem par.
Fica só a calçada onde a poça esparsa
Reflete frouxamente um fosco piscar.
Conheço esse silêncio em sua tessitura —
Não é paz duradoura, mas anseio vão.
O mundo e eu partilhamos a amargura:
Velando a casa enorme nesta escuridão.
"isso é honestamente uma obra-prima. a poça esparsa refletindo piscando?? poesia pura."
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"vc acertou em cheio nessa vibe do balcão gelado do mercado de madrugada. é um desespero tão genuíno."